domingo, 10 de fevereiro de 2013

Está chovendo propagandas de mercadorias



Vem de todos os lugares:
caem do céu
brotam das profundezas,
pra mim e pra você.

Comprar, vender;
móveis, imóveis;
na frente, dos lados...

na sua cara, na minha;
ora resvalando, ora trombando em você, em mim

te perturbam o sono,
a partida de xadrez,
a boa conversa,
a doce leitura,
o ócio,
o descanso,
o cansaço:
nos botam uma mascara sem que percebamos,
me tiram a paciência...

assim, você não é você, é a propaganda,
eu não sou eu, sou a mercadoria.
Ambos nos completamos e nos contemplamos.

E assim vivemos:
infelizes para sempre...

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