segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Aqui jaz mais um poeta


E o poema, o que da morte
consegue inferir,
se a pouca vida que sente,
pra um poeta,
não é suficiente?

Se arrisca pra ver
as mais belas paisagens,
delicadas massagens,
de um óleo quente,
que entrega ao poeta,
num momento de dor,
a ardente caneta.

chame de deus, de amor,
do que for,
mas num momento de dor
por que diabos sente o poeta
um poético cheiro de flor?

morte e vida:
uma mistura sentida
que se faz perceber
numa estranha fadiga.

Cansado, o poeta
escreve umas linhas,
tonto do vinho,
que escorrega nas curvas
do seu terno de linho.

Mancha-lhe a alma,
rasga-lhe a ferida,
traduz em palavras,
a dor de viver
a insuficiência sentida.

Acende o último cigarro,
contempla a chama
escreve uns versinhos
e deita na cama.

Agora deitado,
olhando pro teto,
na posição de morrer, recorda,
o seu último verso.

Melhor que viver assim,
prisioneiro de um asilo
é deixar de viver,
com um simples gesto
de puxar o gatilho...            (29/01/2013)

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