segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Aqui jaz mais um poeta


E o poema, o que da morte
consegue inferir,
se a pouca vida que sente,
pra um poeta,
não é suficiente?

Se arrisca pra ver
as mais belas paisagens,
delicadas massagens,
de um óleo quente,
que entrega ao poeta,
num momento de dor,
a ardente caneta.

chame de deus, de amor,
do que for,
mas num momento de dor
por que diabos sente o poeta
um poético cheiro de flor?

morte e vida:
uma mistura sentida
que se faz perceber
numa estranha fadiga.

Cansado, o poeta
escreve umas linhas,
tonto do vinho,
que escorrega nas curvas
do seu terno de linho.

Mancha-lhe a alma,
rasga-lhe a ferida,
traduz em palavras,
a dor de viver
a insuficiência sentida.

Acende o último cigarro,
contempla a chama
escreve uns versinhos
e deita na cama.

Agora deitado,
olhando pro teto,
na posição de morrer, recorda,
o seu último verso.

Melhor que viver assim,
prisioneiro de um asilo
é deixar de viver,
com um simples gesto
de puxar o gatilho...            (29/01/2013)

domingo, 27 de janeiro de 2013

...


Como é cruel o mundo...
quanto mais achamos estar no caminho certo
vem um saculejo que nos tira do rumo

como é contraditória a realidade..
às margens de um mundo tão grande
brota uma solidão fria da contraditoriedade

como é sensata a consciência...
que tudo que ela toca e pensa
serve pra chorar e pedir clemência

chorar é vida
tristeza é alegria
cantar é saudade
paz é agonia

Quanto tempo ainda seremos chorando a falta de felicidade?

A luta desleal de classes




Burguesia assassina
mata pelo lucro

Trabalhador assassino
mata pra comer

assassinar pra ter mais
assassinar pra ter algo

é pego, julgado e solto
é condenado, preso e culpado.

sem eles somos só nós
sem nós nada são eles

um repousa sorrindo
o outro está apenas dormindo.

Burguesia assassina
mata pelo lucro

Trabalhador assassino
mata pra comer

O encontro mais esperado




Estou de braços abertos para ti.
Receber-te-ei, sempre, de olhos brilhantes.
De peito aberto
para crítica e sugestão.
Tu és minha guia,
e meu coração, teu anfitrião.
Mostra-te para mim.
Me esforçarei pra te encontrar.
Desse jeitinho
que você sempre está,
tímida, escondida, verde...
Diga-me de onde partistes
pra chegar onde chegastes.
E quando estiveres
bem pertinho de mim,
pergunta no meu ouvido baixinho.
Onde está aquilo que queria
e não tinha,
que achava que tinha,
mas não tinha?
Onde esteve você, tão sonhada liberdade?
E eu te responderei.
Sempre, a tua procura, querida e amada
realidade.

Necessidade de verdade


Enquanto joao precisa de feijao,
lineu é obrigado a produzir pneu.
Enquanto luana precisa ser humana,
hortencia so consegue reproduzir violencia.
Enquanto o nicolau precisa acabar com o capital,
a natalia nao consegue entrar nessa batalha

O abreu correu.
O vicente é crente.
O alfredo tá com medo.
Mas
a tereza ja foi presa
e a juliana tá de cama.
E você juciê, o que vai fazer?

O marcio disse que é fácil:
Agora é nós e o almir quem vamo dizer o que queremos produzir
joice pega a foice!
marcelo pega o martelo!
chama o  Omar e vamo lutar!