terça-feira, 18 de junho de 2013

Por que estamos indignados?

Não é a conquista de um direito
e também não é por 20 ou 55 centavos.

Não é por uma mera reforma,
não é por isso que marchamos.

A copa já saiu de moda,
deu lugar ao visual mascarado.

Nas ruas estamos sonhando
com o que o capital pode nos dá.

Mas ainda estamos dormindo, pois
precisamos estar dormindo pra sonhar.

E depois que acordar vamos viver
com quem vier viver junto conosco.

A consciência se faz nas ruas,
não é em face nem televisão.

Rápido ou devagar, temos que aprender
a marchar pela conquista da revolução.

O capital está em crise
e nós estamos quase lá,

temos que criar a mediação
pra no buraco da crise poder entrar.

E mesmo que a polícia venha
bater seus cassetetes em nossas cabeças

vamos usá-las, mesmo que machucadas,
pra combater o que nos combate

com inúmeras palavras entonadas
gritando forte e em uníssono:

meus olhos vão arder, sei que vou chorar,
mas da rua jamais saio, aqui é meu lugar.

Pode jogar bomba em criancinha
ou dá tiro de borracha na velhinha.

A nossa raiva é maior que vossas balas
nossa coragem é um veículo blindado.            

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Dia-a-dia



A sombra da noite ecoou profunda
mostrando o que a aurora não trouxe.
Com ela não veio nada mais que o nada
como um vácuo, nem salgado e nem doce.

Os olhos do dia abriram erguendo sua tampa
e logo, a boca pediu uma dose quente
de café ou cachaça, que a essa altura
tanto faz. É o acordar subserviente.

Antes do gole, uma pausa para o bocejo,
ao espelho, jazem olheiras tortuosas
das noites neutras que tive sem teu beijo.

O primeiro sorriso sai gritante, logo cedo,
mas não consegue exprimir as dolorosas
sensações de extrangulamento do desejo

quinta-feira, 21 de março de 2013

A terra é o quadro e o autor é a História


Compreender as obras naturais do mundo
é incrementar, em essência,
a beleza das coisas.

Saber mais sobre a origem de tudo o natural
é, em essência, deixar o mundo mais belo.

Tentando apreender a essência das coisas,
descobrí outras obras
estas, humanas,
sociais,
construídas por seres humanos
históricos
e reais.

Que quadro belo é esse que a história pintou,
Chama-se Terra.

Que desumano esse futuro incerto que construímos na terra,
Chama-se barbárie.

Que esperança honesta essa que podemos ter na barbárie terrena,
chama-se socialismo.

domingo, 10 de março de 2013

Descobri a poesia


Ela estava coberta de lixo, escondida
crente que ninguem a acharia,
que ninguém a sentiria.

A poesia nunca quer ser encontrada
parece estar sempre brincando sozinha
de esconde-esconde.

Atrás da parede
acima do teto
embaixo do lixo,
muito além de um verso
que queria cantar.
A poesia não tava
querendo esconder
mas brincando sozinha
de procurar.

Não basta querer
não basta rimar,
pra fazer poesia
não é preciso escrever,
é preciso brincar.

É preciso contar até dez;
acender as luzes;
derrubar as paredes;
jogar fora o lixo...

A poesia não é como uma maçã,
que ao mordê-la você encontra
                    o bicho.
Ela é o próprio bicho,
que nasce dentro da maçã,
seu universo é a própria maçã.

Até que um dia
alguém fica com fome, com fome
                     de poesia...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

.


Nesta noite lembrei do quão é vasto
o caminho dos sonhos

Primeiro hesitei, sabendo
que muitas vezes
este foi o caminho trilhado
de quando insistentemente errei.

Depois, hesitei novamente,
pois a dor de a realidade não ser
tal qual nós queremos,
mostra que a vida não se faz de calorosas vontades
mas de sutis verdades.

Aquelas que doem pra pensar
mas pedem pra sair.
Aquelas que se constroem assim,
como esta noite, sonhando...
Mas que não devem permanecer
nas nuvens,
pois só se concretizam assim,
cantando, chorando.                     (26/02/2013)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tortura nossa de cada dia



Confinar nossas expectativas no sistema político eleitoreiro 
é como arrancarmos uma unha por dia
ao acordarmos, toda manhã...

Dói muito,
não conseguimos ver o por quê
mas é o que fazemos...

Sangra tanto,
pensar que não conseguimos dizer
não é isso o que queremos.

Alivia bastante,
saber que mesmo sem a gente querer
Apenas vinte unhas, é o que temos...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Está chovendo propagandas de mercadorias



Vem de todos os lugares:
caem do céu
brotam das profundezas,
pra mim e pra você.

Comprar, vender;
móveis, imóveis;
na frente, dos lados...

na sua cara, na minha;
ora resvalando, ora trombando em você, em mim

te perturbam o sono,
a partida de xadrez,
a boa conversa,
a doce leitura,
o ócio,
o descanso,
o cansaço:
nos botam uma mascara sem que percebamos,
me tiram a paciência...

assim, você não é você, é a propaganda,
eu não sou eu, sou a mercadoria.
Ambos nos completamos e nos contemplamos.

E assim vivemos:
infelizes para sempre...